Wednesday, July 18, 2018

PMDS + TAPE


PMDS é um projecto de música electrónica ambient / techno / experimental pelas mãos de Pedro Sousa e Filipe Caetano. O primeiro com formação clássica em piano, o segundo com muitos quilómetros de pistas de dança, ambos com uma paixão (des)controlada por equipamento analógico, sintetizadores e gadgets que só outros freaks semelhantes conhecerão. 

Ao vivo pegam em parte desse arsenal e fazem questão de fazer uma viagem sónica ao subconsciente, às memórias desvanecidas, ao pensamento abstrato, tocando e manipulando os instrumentos no momento, sem rede, permitindo acontecer algo cada vez mais raro em concertos - o erro humano. É essa dose de improviso faz com que cada concerto tome caminhos diferentes, muitas vezes desconhecidos aos próprios intervenientes. Pedro Sousa tem como base o seu piano, caracteristicamente envolvido de delays e reverbs, acompanhado de sintetizadores e instrumentos eletroacústicos que construiu. Manter tudo no tempo, baterias e baixos, são a responsabilidade de Filipe Caetano, não tratasse ele os BPMs por tu.

As influências são diversas mas não dispersas, sendo perceptível o gosto pela electrónica alemã dos anos 70 como Tangerine Dream, os trabalhos para cinema de Peter Gabriel e Trent Reznor ou musicalidade vinda de artistas como Air, Nils Frahm ou Jon Hopkins. 

O Arco8 foi desde o início o estaleiro, o ground control para viagens do projeto, voltando uma vez mais a casa e a nova jornada, desta vez em formato duplo, com uma sessão às 23:30h e outras à 01:30h.


Entrada 5€

Concerto do Éme na Arco8


Ainda com o aclamado "Domingo à Tarde" (2017) na ponta da língua, Éme traz-nos um espectáculo de partilha de canções com a artista e cantautora Moxila, assim, à guitarra e voz de Éme juntam-se mais uma voz, um cavaquinho, uma flauta e até ocarina e alguns beats.
Mas, acima de tudo, junta-se um punhado de canções, canções de outros trabalhos de ambos, canções tradicionais como se fossem deles, canções deles como se fossem tradicionais e, quem sabe algumas novidades.
Na Arco 8 estreia-se ao vivo no arquipélago dos Açores todo este repertório que tem sido construído ao longo de um ano de vários concertos pelo continente e Madeira.
A segunda parte ficara a cargo do semi-tropical e mui competente DJ Milhafre
Entrada 7€

Paraíso Perdido de Oliver Victoria



PARAÍSO PERDIDO de Oliver Victoria
Portugal/Méxicol, 2017, 91 minutos. 
Realizado nos Açores, Paraíso Perdido faz uma reconstrução da mitíca Atlântida.


Entrada Livre

Wednesday, July 04, 2018

O mar torna o horizonte numa miragem / Margarida Andrade -Inauguração 05/07/2018

EXPOSIÇÃO Margarida Andrade / Vencedora Jovens Criadores  Walk & Talk 2017



Quando o mar é objecto,
o horizonte é paisagem

A ideia é actual e torna-se premissa pela urgência: a actividade turística nas ilhas do arquipélago tem vindo a aumentar exponencialmente, o que, numa relação causa-efeito, se traduz (não exclusivamente) na urbanização das suas paisagens. Esta invasão vem agitar, ainda que de forma gradual, a quietude e aparente estagnação que muitas vezes advém das próprias condições arquipelágica e periférica. É neste contexto, tão novo e intenso na ilha, que surge uma necessidade (e obrigação) de rever as suas consequências, tanto positivas como negativas – especialmente em relação a uma objectificação das paisagens açorianas por parte de um mercado turístico em crescimento. Para além de todas as consequências que podemos prever, como os problemas ambientais, alterações ecológicas, ou movimentos de gentrificação, Margarida Andrade foca-se numa questão que, embora já seja omnipresente noutros discursos da turistificação, por vezes é secundarizada quando abordada no contexto açoriano: a perda de uma identidade (neste caso açoriana), das suas pequenas idiossincrasias, das suas dinâmicas, da sua própria relação com o espaço que habita (e que habita também nela). Não partindo da (fácil) condenação destas alterações, mas sim de um questionamento deste crescimento repentino e dos seus possíveis (e variados) resultados, Margarida apropria-se da forma reconhecível do ilhéu de Vila Franca, explorando o esbatimento de um contorno que se perde pela repetição. O ilhéu, apesar da sua pequena dimensão e da distância que o separa da ilha de S. Miguel, é uma das maiores atracções turísticas micaelenses. (O ilhéu é também aquele que habita a ilha).

É neste impasse que o trabalho de Margarida Andrade se desenvolve. Ao passar para o objecto escultórico (embora a sua área de eleição seja a pintura), a artista tenta firmar os contornos do ilhéu, que, embora identificáveis, se vão esbatendo, perdendo a identidade e a relação com quem o olha. Ao objectificar aquele espaço (quase da mesma forma que é objecto em publicidade turística), começam-se a perder os limites reconhecíveis, as particularidades específicas. É na apropriação turística da paisagem que esta começa a perder a fisicalidade e a contextualidade, desligando-se da cultura e da humanidade, e a existir numa forma etérea - apenas uma idealização, projectada atractiva. Uma miragem.

Marta Espiridião

Romance ● Ligia Soares / Walk & Talk


Romance ● 03/07/2018 ● Arco 8 ● 22h.


A peça "Romance" foi criada em Janeiro 2015 no contexto de uma residência de criação na malavoadora.porto. O seu texto foi depois editado pela Douda Correria e lançado em Maio de 2015.

Em "Romance" as vozes e perspectivas plurais que fazem normalmente parte do meu trabalho são incluídas num texto que reflete sobre o discurso vigente da classe média do mundo ocidental, parodiando com lógicas discursivas quotidianas que, extremadas, denunciam o obsceno por detrás do politicamente correto. O dispositivo passa pela ação de pedir diretamente para dizer. Este pedido ou comando torna-se simultaneamente um ponto de relação entre o espectador e o performer e também um dispositivo de diálogo entre os vários espectadores contendo em si a força e o perigo de se falar com as palavras de outro, criando fortes jogos de identificação e repulsa pelo que se diz.

Concepção, Texto e Interpretação Lígia Soares
Música Mariana Ricardo
Apoio à Dramaturgia Miguel Castro Caldas
Design Filipe Pinto
Fotografia Daniel Pinheiro
Figurino Tânia Afonso e Lígia Soares
Produção Máquina Agradável

Apoio Mala Voadora, Teatro Praga, Primeiros Sintomas
Financiado por Dgartes- Ministério da Cultura